Presidente nacional do PT afirma que atual modelo político “ruiu” e que é preciso reduzir a influência do Congresso no Orçamento para garantir governabilidade

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a reforma política-eleitoral e o fim das emendas impositivas, como forma de garantia da governabilidade em um eventual quarto mandato de Lula petista.
Em entrevista, Edinho voltou a destacar a desaprovação que o Congresso enfrenta perante a sociedade, o que, na sua avaliação, abre caminho para uma reforma político-eleitoral que deve ser prioridade na agenda institucional do país.
“O modelo político brasileiro ruiu, apodreceu. Não há como mais sustentar esse modelo político que está aí”, aponta o presidente do PT.
Edinho lembrou ainda que o fim das emendas impositivas também deve ser debatido no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma ação que tem o ministro Flávio Dino como relator.
“Não podemos ter o Congresso executando R$ 62 bilhões no Orçamento. Não faz o menor sentido. Isso esvazia as atribuições do presidente da República. Esse modelo de governabilidade que está aí, de balcão, de negociação de liberação de emendas, é muito ruim. Porque, com a capacidade atual de execução orçamentária do Congresso, nós quase que instituímos um semiparlamentarismo no Brasil”, avalia.
Reforma do Judiciário
Edinho citou também a reforma do poder Judiciário, que vem sendo tema de debate no PT. Na semana passada, na sede de Brasília, o partido promoveu o seminário “Caminhos para Democratização e Autocorreção do Sistema de Justiça Brasileiro”, cuja pauta principal foi o fortalecimento das instituições, a partir de reformas estruturais, como processo fundamental para reverter o descrédito da sociedade com a democracia representativa.
“O que estamos fazendo é ouvindo os especialistas, pessoas que estão acompanhando esse debate. O PT, tendo a sua proposta, vai dialogar com os partidos aliados. O programa de governo do presidente não é um programa de governo do PT, ele tem que contemplar todos os partidos aliados. E, claro, o presidente Lula tem que querer fazer esse debate na campanha”, declarou.
Dentro da proposta de reforma das instituições, o presidente nacional do PT voltou a defender o voto em lista.
“Eu tenho uma proposta enquanto presidente do PT, não sei se é a proposta que o PT defenderia, mas eu defendo o voto em lista. Ninguém sabe o que pensa o partido A ou o partido B. A sociedade criou uma cultura de votar no indivíduo, nós temos um Congresso Nacional ocupado por influencers, que muitas vezes não sabem o que é o papel de Estado, o que é o SUS, o que é pacto federativo”, destacou.
Programa de governo
Questionado se essa proposta estará no programa de governo do Lula, Edinho afirmou que o programa de governo é do PT, dos partidos aliados e de setores da sociedade que vão apoiar o presidente Lula.
Ainda sobre a campanha à reeleição do presidente, Edinho disse que o foco será a defesa do legado de Lula, de todos os avanços do país que resultaram de iniciativas e programas do governo federal implantados neste terceiro mandato.
“É o governo mais exitoso da história brasileira. E temos que apresentar propostas de futuro, com um programa de governo que sinalize mais para mudanças estruturantes”, disse, mencionando o debate da transição energética, das terras raras, de uma política de segurança pública que seja efetiva, a questão da educação como eixo central de desenvolvimento, além da continuidade da reforma da renda.
Edinho enfatizou ainda que o presidente Lula tem uma posição de melhorar a eficiência do Estado e de gastar bem o dinheiro público.
A disputa eleitoral e o caso Master
Edinho afirmou ainda que o caso Mater está tendo impacto na disputa eleitoral e se as investigações continuarem trazendo fatos à tona, o impacto será ainda maior.
“O importante é que a sociedade comece a entender que o banco Master foi criado no governo Bolsonaro. E quem pede para se investigar o banco Master e combater as fraudes é o governo do presidente Lula. Uma coisa são as mentiras, ilações, outra coisa é aquilo que é factual. O áudio do Flávio Bolsonaro com o Daniel Vorcaro é factual, não é hipótese. A relação que ele demonstra ali é de intimidade”, contextualiza, acrescentando que acredita na sobrevivência da campanha de Flávio Bolsonaro. “Claro que o bolsonarismo tem uma força social grande no Brasil, mas conseguir sobreviver é uma coisa e ter força eleitoral para disputar projeto é outra coisa”.
Questionado se há na sua avaliação uma intervenção dos EUA na eleição brasileira, em decorrência das decisões recentes do presidente Donaldo Trump em relação ao Brasil, com as investigações comerciais, a classificação das facções como organizações terroristas e o encontro com Flávio Bolsonaro, Edinho afirmou que os indícios não são bons.
“Como também há indícios de ingerência, pelo menos de empresas americanas, em eleições de outros países da América Latina. Então o nosso papel é impedir que essa interferência se efetive. Temos que tomar medidas políticas, jurídicas, fazer denúncia. Temos que enfrentar”, concluiu Edinho Silva.

