“Leio o passado para trabalhar no presente e não errar no futuro”, diz Lula, na convenção do PT

Em evento no último domingo (2), em São Paulo, partido oficializou a chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin na disputa de outubro à reeleição

A Convenção Nacional do PT, em São Paulo, no domingo (2), que oficializou a chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, com o apoio de sete partidos, foi marcada por momentos de emoção, com discursos que enalteceram a trajetória do presidente Lula e seu compromisso pela construção de um país mais justo e em defesa da soberania brasileira.

Ao falar aos presentes, Lula recorreu à própria trajetória e às transformações sociais promovidas pelos governos petistas, em especial neste seu terceiro mandato, para projetar um novo ciclo de desenvolvimento mais ousado e transformador, com inclusão social e defesa da soberania brasileira.

“Eu leio o passado para trabalhar no presente e para não errar no futuro. Quem fez pode prometer mais, quem não fez não tem o que prometer. Essa é a lógica da nossa campanha”, disse, ao comparar seu legado com o período de destruição promovido pelo bolsonarismo e a extrema direita.

O presidente disse que, em vez de promessas desconectadas da realidade, a candidatura Lula-Alckmin mostrará o êxito de programas criados, políticas reconstruídas e investimentos históricos que já estão mudando a vida da população. Citou o Prouni, o Reuni, o Fies, o Pé-de-Meia e o Minha Casa, Minha Vida. Também falou sobre a retomada da demarcação de terras indígenas e da regularização de territórios quilombolas.

Entre as transformações necessárias para o país, Lula citou como exemplo o debate do Orçamento da União. O presidente mencionou o crescimento das emendas parlamentares e a transferência de atribuições do Executivo para o Legislativo. Segundo ele, o tema exigirá uma discussão democrática e uma bancada comprometida com a recuperação da capacidade do Estado de planejar e executar políticas nacionais.

“A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa nesse país. Vai ter que ter briga democrática para a gente dar uma mudança nesse país; agora que nós estamos com a base garantida, é hora de dar um salto de qualidade. É hora de pensar nesse país e qual é o país do futuro que nós vamos entregar. Eu não quero ser mais o presidente só do Bolsa Família. É preciso mais. A gente vai ter que mudar de comportamento e ser mais ousado”, afirmou.

O enfrentamento à violência contra as mulheres também foi lembrado pelo presidente. “Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, afirmou.

Lula encerrou seu discurso enumerando cinco grandes compromissos para um eventual quarto mandato: garantir a soberania sobre os recursos estratégicos, enfrentar a violência contra as mulheres, transformar a educação, criar uma política nacional para os idosos e fortalecer a defesa do país.

“Nem chinês, americano ou francês vão meter o dedo na nossa terra rara. Já que a inteligência artificial existe, ela pode ser útil e vamos investir muito nisso“, afirmou.

Força feminina

Lula encerrou as falas, mas antes de discursar, passou o microfone para a primeira-dama Janja da Silva.

“Eu acredito que são as políticas públicas que transformam a realidade do país. Por isso, eu trabalho para que as políticas públicas do seu governo se transformem em políticas de Estado e que a gente rume para um Brasil em pleno desenvolvimento, reconhecido mundialmente por suas políticas de inclusão”, ressaltou Janja.

E, se dirigindo a Lula, prosseguiu: “Somos nós, mulheres, que vamos eleger você novamente”, afirmou ao presidente Lula, durante o evento.

Mobilização pela reeleição

O primeiro a falar no palco da convenção foi o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Ele agradeceu os dirigentes partidários e a militância presente, chamando para a mobilização pela reeleição de Lula.
“A eleição no Brasil terá impacto no mundo e na América Latina. Estamos decidindo qual futuro queremos para o nosso país. Vamos escolher entre o país do ódio, da fome, do autoritarismo e do entreguismo, ou o Brasil soberano, que luta pelos nossos interesses e pela construção de igualdade de oportunidades. O presidente Lula já demonstrou capacidade de defender nosso povo”, disse Edinho Silva.

“Lula é motivo de inveja no mundo”

O ex-ministro Fernando Haddad também saudou a militância presente na convenção. Ele abriu seu discurso enfatizou a trajetória de Lula, destacando que o presidente, que disputa seu quatro mandato, nunca traiu o povo brasileiro. O candidato ao governo do estado de São Paulo enfatizou ainda o momento em que a soberania do Brasil está ameaçada, “com o mar revolto”.

“Lula é motivo de inveja no mundo, mas o Lula é brasileiro. Lula precedeu um presidente que desorganizou o país em todos os sentidos. E, num quadro extremamente adverso, Lula e Alckmin reconstruíram a democracia no nosso país. Porque eles fazem política com a verdade e respeitam o resultado eleitoral. Isso uniu o Lula e Alckmin em 2022 e os une agora, mais uma vez. Vamos fazer o país seguir em frente. Temos um desafio de levar a verdade para a população e dizer que o Brasil está sendo reconstruído, sem botar boné de presidente de nenhum outro país”, declarou Haddad.

“Militância aguerrida”

Geraldo Alckmin, candidato a vice, elogiou a “militância aguerrida do PT”, que segundo ele, faz a diferença. Também ressaltou a democracia interna do PT na sua fala, durante a convenção.

“Há quatro anos, estávamos aqui para falar de desenvolvimento inclusivo, com estabilidade e sustentabilidade. Nós temos hoje a menor taxa de desconforto: é a menor inflação. E o que derrubou foi alimento. E a taxa de desemprego é 5,4%. É desemprego baixo, com inflação baixa, coisa difícil de se conseguir, porque, geralmente, quando a inflação está baixa, o desemprego está alto. Quando o desemprego está baixo, a inflação está alta. E se conseguiu as duas coisas no nosso país”, completou Alckmin, que também ressaltou o crescimento da indústria e os menores índices de desmatamento registrados no Brasil.

Em seguida, também aproveitou para alfinetar os opositores, afirmando que “a descrença das urnas é cheiro e fumaça de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”.
Por fim com bom humor, disse: “Lula com chuchu, vamos presidente”, concluiu.