Presidente nacional do PT e candidato a deputado federal por SP participou do lançamento oficial da campanha pela reeleição do presidente, que reuniu cerca de 40 mil pessoas em São Bernardo do Campo




O lançamento da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin, neste domingo (16), reuniu 40 mil pessoas na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), num momento emocionante e cheio de simbolismo, já que foi no estádio 1º de Maio que eclodiram as grandes mobilizações trabalhistas do fim dos anos 1970 e projetaram o líder sindical Lula para a história e para a política.
Nos telões, antigos companheiros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC deram depoimentos sobre as greves que desafiaram a ditadura naquele período. Em seguida, os trabalhadores que apareciam no vídeo subiram ao palco e abraçaram Lula, em um encontro entre os homens que fizeram aquela história e as milhares de pessoas dispostas a continuá-la.
O presidente nacional do PT e candidato a deputado federal por São Paulo, Edinho Silva, ressaltou a emoção do retorno para onde tudo começou e reforçou a importância da participação de todos os brasileiros para a reeleição de Lula.
“O estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, ficou completamente lotado para o lançamento oficial da candidatura do presidente Lula. A partir de agora, é oficial e nós precisamos muito de cada uma das pessoas que acreditam nesse projeto de um país justo e democrático. Precisamos ir para as ruas e identificar para a população tudo o que o presidente Lula fez, o quanto ele tem trabalhado para melhorar a vida do povo brasileiro”, defendeu o presidente do PT.
Edinho destacou também a importância da liderança de Lula, diante do momento instável internacional e da necessidade de defesa da soberania brasileira.
“Nós ainda estamos longe daquilo que nós queremos, mas sabemos que a liderança mais preparada para conduzir o Brasil neste momento de instabilidade internacional, para continuar reconstruindo as políticas públicas e preparar o Brasil para o futuro, é o presidente Lula. O Brasil precisa de um líder e o presidente Lula é o líder capaz de defender nossa soberania e preparar nosso país para o futuro”, afirmou.
“Os homens são medidos pelo caráter”
“Os homens não são medidos pelas épocas. Os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que tiveram de berço”. Essa foi uma das frases de destaque no discurso do presidente Lula ao estádio 1º de Maio lotado.
O discurso combinou memória pessoal, homenageando lideranças sindicais históricas e, principalmente, sua mãe, Dona Lindu, atribuindo a ela os valores de caráter e dignidade que moldaram sua caminhada; destacou sua trajetória sindical e defendeu seu legado político.
Primeiro presidente eleito três vezes pelo voto popular, Lula afirmou que pretende continuar na política para impedir o retorno da extrema direita e defender políticas voltadas à saúde, educação, moradia, emprego e oportunidades.
“Enquanto eu estiver vivo, não vou parar de lutar e permitir que volte uma direita que dava risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio e que foi responsável pela morte de centenas de milhares de pessoas na Covid por não comprar a vacina”, afirmou.
Como meta do seu quarto mandato, Lula afirmou que pretende ampliar o acesso ao ensino superior e à educação profissional e garantir escolas de tempo integral em todo o país que ofereçam arte, música, dança, educação ambiental e formação para a igualdade.
Para Lula, o respeito às mulheres também deve ser ensinado desde a infância. “O menino tem que começar a aprender desde criança que o homem não é melhor do que a mulher. Ele tem que aprender que nós somos iguais.”
Para a segurança pública, Lula defendeu que o Estado deixe de concentrar sua ação apenas nos territórios pobres e enfrente os verdadeiros chefes e financiadores do crime organizado. Para Lula, o caminho para desmontar as organizações criminosas passa pelo bloqueio de contas, pela apreensão de patrimônio e pela retirada do poder econômico de quem lucra com a violência. E voltou a defender a aprovação da proposta de emenda à Constituição da Segurança Pública no Senado, que garantirá a criação do Ministério da Segurança Pública para coordenar a atuação da União com estados e municípios.
A defesa da soberania nacional apareceu como outro compromisso central para o próximo mandato. Lula apontou que a disputa mundial por terras raras e minerais críticos coloca o Brasil diante de uma oportunidade histórica de desenvolver tecnologia, fortalecer sua indústria e gerar empregos qualificados.
Ressaltou que o Brasil manterá relações com todas as nações, mas não permitirá que potências estrangeiras controlem suas riquezas. “Este país está devendo a si mesmo se transformar numa grande nação. E nós vamos fazer deste país uma grande nação.”
Assim como Edinho Silva, o presidente pediu que a militância leve às ruas a comparação entre os resultados dos governos, mostrando quem gerou mais empregos, ampliou o acesso à educação, aumentou salários e investiu na vida do povo.
“Criem vergonha na cara, parem de mentir, porque o povo brasileiro não vai aceitar que a mentira vença a verdade”, afirmou ao rebater os ataques da oposição.
Mulheres do centro do evento
A primeira-dama Janja da Silva também se manifestou e colocou as mulheres no centro do lançamento da campanha do presidente à reeleição. Janja saudou os presentes falando de pertencimento, força coletiva e da contribuição decisiva das brasileiras para a democracia.
“Antes de casar com o da Silva, Luiz Inácio Lula da Silva, eu já era uma Silva. Com muito orgulho, nasci nessa grande família brasileira, assim como milhões de mulheres espalhadas pelo nosso país. Mais uma Silva, mas não só. Mais uma Silva, porque nós nunca somos só mais uma. Cada uma de nós é muita coisa. Somos muitas em uma. Quando uma mulher avança, ela leva com ela todas as mulheres: as que vieram antes, as que caminham ao seu lado e as que vão andar pelo mesmo caminho que ela está trilhando”, disse.
Janja prestou uma homenagem especial a Dona Marisa Letícia, ex-companheira de Lula, e a outras mulheres durante as grandes greves dos metalúrgicos do ABC, no fim dos anos 1970.
“Essas mulheres, lideradas por Dona Marisa, foram uma força importante e são pouco lembradas. Sem a presença delas, presidente, talvez essa história toda tivesse sido diferente”, afirmou Janja. “A estrela da nossa bandeira, do nosso partido, traz à nossa memória o cuidado e o carinho de Dona Marisa. Foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT e é a ela que eu dedico toda a minha admiração”, acrescentou.
Gol da democracia
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) saudou o estádio lotado, enfatizando a importância de reeleger Lula para o fortalecimento da democracia e para o avanço das conquistas da população registradas nos últimos anos, como o crescimento do emprego, da renda, do PIB, da educação, da saúde e da proteção ao meio ambiente.
Alckmin também fez alusões a um jogo de futebol e relembrou as mobilizações dos trabalhadores contra a ditadura. “Aqui, quem faz gol é a democracia. Foi aqui que os trabalhadores nos ensinaram que justiça tributária só ocorre com liberdade política”, ressaltou, relacionando ainda a história industrial do ABC às políticas adotadas pelo governo Lula para estimular a retomada da produção no país.
Figura incomum
O candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), também destacou a importância da figura de Lula em sua fala no estádio lotado e defendeu a continuidade do projeto de desenvolvimento e ampliação de direitos no país.
“Essa estrela chamada Lula e essa estrela que nasceu aqui na Vila Euclides é uma estrela que muita gente anseia apagar. Infelizmente, o sonho de muita gente no Brasil é ver essa estrela apagar. Mas, nesse domingo, essas imagens estão correndo o mundo, estão correndo as redes. E eles vão saber que, mais uma vez, a nossa estrela vai ficar acesa para subir, mais uma vez, a rampa do Palácio do Planalto e dizer que quem manda no Brasil é o povo, não é o dinheiro e não é o poder, mas é o suor de cada trabalhador e de cada trabalhadora”, destacou Haddad.
Haddad classificou Lula como “uma figura incomum” no Brasil e no mundo, enumerou feitos do presidente e destacou, entre as características dele, a empatia. Disse que Lula é um exemplo de líder, assim como “amigo” e “companheiro”.

