
Prefeito por dois mandatos consecutivos, o petista inaugurou uma nova era com uma gestão democrática e voltada à cidadania
Entre 2001 e 2008, Araraquara viveu uma das fases mais marcantes de sua história. Sob a liderança do então jovem prefeito Edinho Silva (35 anos), a cidade experimentou uma profunda transformação na forma de governar marcada pela participação popular, pela inclusão social e por políticas públicas voltadas ao desenvolvimento humano e sustentável. Seu foco, desde 2001 foi: colocar o povo no centro das decisões.
Logo no primeiro ano de governo Edinho implantou o Orçamento Participativo (OP), instrumento de gestão democrática que permitiu à população decidir, em plenárias, quais obras e investimentos seriam priorizados no orçamento municipal.
Em poucos meses, bairros inteiros passaram a debater o destino dos recursos públicos. Ruas foram pavimentadas, unidades de saúde e praças foram construídas e reformadas, escolas receberam melhorias. Tudo decidido diretamente pelos moradores. O OP transformou a cultura política da cidade e fez de Araraquara uma referência nacional em gestão participativa. Além das Plenárias Regionais para debate sobre aplicação dos recursos nos bairros, Edinho ainda implementou as Plenárias de Mulheres, Igualdade Racial, Pessoas com Deficiência, Juventude, Idosos e da Cidade, onde se elegia uma obra considerada importante para o município como um todo.
Dessas Plenárias Temáticas saíram importantes conquistas e obras pioneiras na região naquela época como o Centro de Referência Afro “Mestre Jorge”, Cursinho Popular, sede própria para a Escola Municipal de Dança, transporte adaptado para pessoas com deficiência, Pronto-Socorro do Melhado, dentre outras.
Economia solidária e geração de trabalho e renda
Edinho estruturou uma política pública inédita na região para geração de trabalho e renda, baseada na economia solidária. Foram criadas incubadoras públicas de empreendimentos populares, programas de apoio a cooperativas e centros de economia solidária, que capacitavam trabalhadores e fortaleciam pequenos negócios. Essas iniciativas se transformaram em alternativas concretas de renda para centenas de famílias, especialmente nos bairros mais vulneráveis.
Uma das ações mais emblemáticas foi o apoio à Cooperativa Acácia, fundada em 2001, que reuniu catadores e catadoras de materiais recicláveis. Além de promover inclusão produtiva, o programa também consolidou uma política ambiental pioneira de gestão de resíduos sólidos, conectando sustentabilidade e justiça social. Também foi em seu governo que organizou mulheres assentadas e ajudou na criação da Padoka do Assentamento Monte Alegre, hoje ponto turístico, especialmente para ciclistas.
A cidade que se abre para todos
As políticas de inclusão social e cidadania implementadas entre 2001 e 2008 também ampliaram o acesso à cultura, educação e saúde. Centros culturais e esportivos foram descentralizados. Edinho criou as Oficinas Culturais, levando todas as linguagens artísticas para os bairros de forma gratuita. Também foi em seu primeiro governo que a cidade ganhou a primeira Escola Municipal Pública que Dança “Iracema Nogueira”, o programa Técnico Ator (em parceria com o Sesc), além de eventos que até hoje colocam a cidade em posição de destaque no Brasil e no Mundo como o FIDA (Festival Internacional de Dança), Semana do Sapateado, o Carnaval da Paz e da Cidadania, Território da Arte e o Araraquara Rock.
O governo também investiu em projetos de juventude como o Jovem Cidadão, garantindo estágio remunerado em órgãos da Prefeitura para estudantes do ensino médio, técnico e superior. Também revolucionou as políticas para mulheres com o Centro de Referência da Mulher “Helleieth Saffioti”, sua primeira inauguração como prefeito em 08 de março de 2001, além da Casa Abrigo para mulheres vítimas de violência.
Edinho também ampliou e fortaleceu o programa Escolinhas de Esportes, implementando diversas modalidades esportivas, em todos bairros da cidade, atendendo crianças de 06 a 16 anos no contraturno escolar. O programa revelou diversos talentos e a cidade passou a destacar em campeonatos esportivos na região, estado e Brasil.
Uma cidade mais justa e participativa
A Araraquara dos anos 2000 tornou-se um laboratório de gestão participativa. O Orçamento Participativo tornou-se um marco. Outro programa importante foi o Prefeitura nos Bairros, em que toda estrutura do Poder Municipal se deslocava para as diversas regiões da cidade, com vistas a facilitar a comunicação da Prefeitura com o povo. Além do chamado atendimento social, a população recebia também os serviços de zeladoria (recape, capina, limpeza, troca de iluminação, poda de árvore, dentre outras ações).
Edinho criou também as Frentes da Cidadania, um programa de apoio à população que enfrentava o desemprego. Por meio do projeto, os participantes tinham acesso a cursos de qualificação para o mercado, apoio para documentação, palestras, além de suporte da rede de saúde, de educação e assistência social para toda a família. Em seu primeiro governo criou o projeto de Mutirão de Moradias em vários bairros como Hortências e São Rafael.
Legado
Dentre as principais marcas do primeiro governo Edinho estiveram: construção de oito unidades de saúde, o maior e mais equipado Pronto-Socorro do interior (o do Melhado), aumento de mais de 400% no número de vagas em creches, a criação da Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira, o início da tão sonhada obra de construção de um novo ramal ferroviário (e retirada dos trilhos da zona urbana) e a Arena da Fonte Luminosa. Edinho salvou o estádio que é uma das principais marcas do povo de Araraquara, que iria a leilão, e o transformou na primeira Arena Multiuso 100% coberta com padrão FIFA do interior do estado.
Ao final de 2008, Araraquara havia consolidado uma imagem de cidade democrática, inclusiva e moderna. Experiências implantadas naquele período foram apresentadas em congressos nacionais e internacionais sobre gestão pública, e diversos municípios adotaram modelos inspirados no que foi feito por Edinho.
Mais do que obras e programas, a marca de sua primeira gestão foi a mudança de mentalidade: o governo deixou de ser algo distante e passou a ser uma construção coletiva. Edinho encerrou seu mandato com 68% de aprovação da população de Araraquara.

