Entrevista de Edinho Silva originalmente publicada no Valor, em 9/3/2026.
Em entrevista ao Valor, Edinho Silva também afirma que a chance, entre zero e dez, de Alckmin permanecer na vice de Lula é ‘onze’Por Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes, Valor — São Paulo
A pesquisa divulgada pelo Datafolha no fim de semana confirmou o cenário delineado pelo conjunto de levantamentos realizados desde fevereiro, com um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente do PT, Edinho Silva, atribui o resultado à força com a qual a pauta da corrupção entrou na pré-campanha presidencial, a partir das investigações da fraude do INSS e do Banco Master. “Quando cria o ambiente antissistema, quem perde é o status quo. E a representação máxima do status quo é o presidente”, diz.

A primeira etapa da reação defendida pelo PT é a resposta pública do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, que mora na Espanha, às acusações de que teria recebido dinheiro de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”. “Ele tem que chamar uma coletiva de imprensa e dizer que não tem nenhum envolvimento nisso”, diz Edinho.
A segunda etapa já não parece tão clara, uma vez que a fonte maior de desgaste vem do envolvimento com o Master dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja proximidade com o Executivo foi selada pelo inquérito do golpismo. O presidente do PT defende vagamente uma “reforma do Judiciário” e mantém distância do código de ética, defendido pelo ministro Edson Fachin.
Se a corrupção caiu no colo de Lula, o aperto no poder de compra dos brasileiros, pela redução no ritmo de crescimento do consumo das famílias, não dá sinais de que venha a ser revertido com o impacto da guerra do Irã sobre a inflação, que já levantou dúvidas sobre a reunião do Conselho de Política Monetária do dia 18. “Não há nenhum indicador da economia indicando que o Brasil não esteja pronto para entrar num ciclo de redução da taxa de juros”, diz.
Edinho Silva afirma ainda que a chance, entre zero e dez, de que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)permaneça onde está é “11”. Sugere, ainda, que, além da defesa do fim da jornada 6×1 e da desconstrução de Flávio Bolsonaro – ( “Ele não é um copo vazio e o PT terá que mostrar o que tem dentro desse copo”) —, se assistiráa uma reprise do discurso contra o fascismo, a exemplo do que aconteceu em 2022. “O fascismo está em ascensãono mundo inteiro e seria muita pequenez fazer discurso só com aquilo que o eleitor quer ouvir”, diz.
No domingo (8), antes de se dirigir ao ato em homenagem ao dia das mulheres, o presidente do PT recebeu o Valor num hotel no centro de São Paulo.
A seguir, trechos da entrevista:
Valor: O Datafolha mostra Flávio muito próximo de Lula no primeiro turno e em empate técnico no segundo. O queo PT vai mudar na estratégia?
Edinho Silva: Com a polarização, qualquer candidatura que ocupasse o outro polo cresceria muito rápido. Asociedade está cristalizada. Vai ganhar a eleição quem avançar no campo do adversário. Não tinha dúvidas de que oFlávio cresceria rápido. Ele herda a estrutura do PL, monta uma estrutura de campanha muito forte, com estruturasde comunicação e jurídicas fortes.
Valor: O PT errou na avaliação ao torcer para que o Flávio fosse o candidato? O partido aguarda o prazo dedesincompatibilização para afastar o risco de uma candidatura de Tarcísio e começar a bater no senador?
Edinho: Nunca torci porque achava que ele era o candidato mais fácil de herdar o bolsonarismo. Ele tem Bolsonarono nome.
Se a gente entrar no modo campanha agora, antecipa muito o processo eleitoral. É um erro brutal. Vejomanifestações de publicitários de campanha, analistas e blogueiros… Nós somos governo e só nós podemosgovernar. Se entramos na pancadaria, não vamos governar.
Temos que intensificar a estratégia de comunicaçãopara que a sociedade entenda o que o governo Lula está fazendo. E não entrar na linha que eles estão propondo, depancadaria, ataque, ‘fake news’.
Valor: Qual é a linha de desconstrução da candidatura Flávio, para avançar no campo adversário?
Edinho: O Flávio não é um copo vazio, é um copo cheio. Quem tem que mostrar o que tem dentro do copo é o PT, a bancada, as lideranças políticas do nosso campo. O governo tem que governar. O PT tem que reforçar tudo o que o Lula está fazendo pelo Brasil.
Valor: O senhor divulgou um vídeo falando de Flávio como representante do fascismo. É essa linha que vai seguir?
Edinho: Flávio tem décadas, ou pelo menos uma década como liderança política. No que já votou? Quais são asposições políticas? Qual é a história dele dos últimos anos? Qual é a história como parlamentar quando o pai dele foipresidente? O bom mocismo que estão pintando não reflete a realidade.
Não emitir opinião sobre isso é um erro,mas nossa prioridade é mostrar os êxitos do governo.
Valor: O senhor diz que a prioridade é mostrar o que o governo faz. A população já sabe da isenção do IR, daspolíticas sociais e isso não está movendo a popularidade.
Edinho: O que mudou de dezembro para cá? Aumentou a polarização, se intensificaram as denúncias de corrupção.E as denúncias de corrupção criam um sentimento antissistema. As pessoas não acreditam no Judiciário, no sistemapolítico, no Congresso. E quando cria o ambiente antissistema, quem perde é o status quo. E a representaçãomáxima do status quo é o presidente. O que temos que dizer — e a comunicação é central nesse embate — é queas denúncias de corrupção são apuradas porque o presidente fortalece a Polícia Federal, dá autonomia àsinstituições, não impede investigação.
Valor: O senhor afirma que quanto mais aprofundar a crise do Master, mais isso vai atingir diretamente o Lula. Ocenário que se desenha é de crise sem precedentes. Como vai blindar o presidente disso?
Edinho: Se essa crise escalar, e se a sociedade não entender o que é essa crise, por que o
Banco Master está sendoinvestigado, que o governo do presidente Lula dá autonomia para as instituições que investigam, que o governo dopresidente Lula quer que os malfeitos sejam apurados, evidente que fica tudo num bolo só. Se a gente conseguirfazer essa diferenciação, claro que a sociedade entende.
Valor: A CPI do INSS e as investigações contra o Lulinha deixam o presidente cada vez mais na defensiva e já sãousadas pela oposição para atacar o governo. Qual é a estratégia para lidar com isso?
Edinho: Fábio tem que se defender. Lula está dizendo o tempo todo que ninguém está isento, ninguém está acimada lei. Seu próprio filho está sendo investigado. Agora, o Fábio tem que vir a público e dizer efetivamente que elenão tem nenhum envolvimento nisso. Os vazamentos da quebra do sigilo não acharam um centavo nas contas delevinculado a qualquer denúncia do INSS. Ele tem que dizer que o dinheiro é de origem de seu trabalho, da herançaque recebeu. Tem que demonstrar que não tem nada a ver com o INSS. Ninguém pode ser acusado, julgado econdenado pela mídia. Tem algum vínculo com os escândalos? Não.
Valor: Que avaliação faz da condução do ministro André Mendonça do inquérito do Master e do INSS?
Edinho: Tenho uma excelente imagem do ministro André Mendonça , é um juiz muito respeitado. A postura dele atéagora no Supremo é de respeito. Vai fazer história na Suprema Corte.
Valor: Ministros do STF dizem que a Polícia Federal, ao investigar todo o Estado brasileiro num ano eleitoral, vaifragilizar o chefe de Estado. É um modo de pressionar por controle. Como o senhor vê essa queixa de que a PFentrou no ‘modo descontrolado’?
Edinho: As denúncias de fraude do sistema financeiro precisam ser apuradas. É um sistema que tem muitacredibilidade, nunca foi arrastado por crises, nunca foi colocado em xeque. Se tem denúncia que pode arranhar suacredibilidade, tem que apurar. O processo de apuração seria equivocado se tivesse controle sobre ele, mas Lula temuma postura de respeito às instituições. A PF, o Ministério Público e o Judiciário funcionam com autonomia.
Valor: Uma das instituições que falhou nesse controle do sistema financeiro foi a Comissão de Valores Mobiliários. Opresidente indicou Otto Lobo, cuja reputação está na berlinda, para presidi-la. Lula deveria retirar essa indicação?
Edinho: Não tem como saber o que cada um está fazendo no governo, mas quando tem denúncia, o presidente tempor obrigação pedir que seja apurada. É o que está fazendo.
Valor: O senhor vê um paralelo com 2018, quando o PT ficou na berlinda com a Lava-Jato?
Edinho: Há um descontentamento grande da sociedade em relação aos poderes constituídos. Temos que ter humildade para ouvir a voz que grita na sociedade. Precisamos fazer uma reforma das instituições. Em 2013, havia uma reivindicação legítima, mas que depois foi incorporada pelas forças de ultradireita, antidemocráticas, contra a presidenta Dilma. Agora, de novo, a sociedade grita por reformas. Temos que enfrentar essa agenda, fazer reforma política, eleitoral, com voto em lista, melhorar o Judiciário, criar instrumentos de participação da sociedade civil nos processos decisórios. Agenda boa é a que constrói uma saída no campo democrático. O que o outro campo defende? O fim da soberania brasileira e da democracia.
Valor: Esse discurso reformista resultou, por exemplo, no PL Antifacção e na PEC da segurança. Num Congressocomo o atual, em que o governo é minoritário, a tentativa de reformar as instituições poderá piorá-las. Não seavançou com a proposta de asfixiar o crime no sistema financeiro. O governo se arrepende de ter propostomudanças na segurança?
Edinho: Não, o Brasil precisa de um programa de segurança pública. Não se pode resumir o debate à polícia quemata. Precisa valorizar os policiais, achar qual o lugar das guardas municipais, das forças federais, além de ocupar oterritório e asfixiar a sustentação financeira do crime organizado. Segurança não precisa de saídas populistas.
Valor: Mas essa agenda da segurança, por exemplo, foi capturada pela oposição. Foi um erro do governo?
Edinho: Não. O Congresso tinha que ter chamado a sociedade para participar. O distanciamento entre o Estado e asociedade civil está imenso e esse abismo está levando à descrença da sociedade em relação ao Estado e gerandoesse sentimento antissistema. Se as lideranças do Congresso não entenderem isso e não criarem uma agenda dediálogo com a sociedade que aproxime o Congresso da sociedade, vamos ter no Brasil aventuras autoritárias, comoa de 8 de janeiro.
Valor: O PT enfrenta uma correlação de forças desfavorável. Como está a discussão para ampliação da aliançaeleitoral do presidente? Qual é a chance real de se trazer o MDB para esta aliança?
Edinho: Vamos ter partidos conosco na construção nacional e nas alianças nos Estados. Vamos ter aliança com oMDB em vários Estados. Agora acho muito difícil o MDB vir conosco numa aliança nacional.Temos alianças com oPSD, inclusive com a federação União Brasil/PP.
Valor: De 0 a 10, qual é a chance de Alckmin ser mantido como vice?
Edinho: Onze. Não tem nenhum vice melhor que o Alckmin hoje no Brasil. Alckmin amplia o diálogo com asociedade. Foi um vice muito leal e um ministro excepcional. Teve a nova indústria brasileira, com quase R$ 700bilhões de financiamento e o enfrentamento ao tarifaço.
Valor: Em São Paulo, Haddad irá “para o sacrifício” contra Tarcísio?
Edinho: Não é sacrifício. Haddad é um dos maiores líderes da política brasileira, o ministro mais exitoso, que enfrentou o debate da reforma da renda, isentou o Imposto de Renda [para quem ganha até R$ 5 mil]. Fez a reforma tributária, puxou o debate da transição energética. É o ministro do melhor índice de emprego, que criou condições para a retomada do crescimento da renda. Há um descontentamento dos prefeitos de São Paulo com Tarcísio. Não temos política de segurança e os policiais estão descontentes. A indústria paulista foi taxada pelo Trump e o que Tarcísio fez foi vestir o bonezinho dele. Quem saiu na defesa da indústria foi o governo Lula, Alckmin. Precisamos debater o que está acontecendo na saúde e na educação.
Valor: A chapa prevista é Haddad com Simone Tebet e Marina Silva para o Senado?
Edinho: Sou fã da Marina, mas ela está no Rede. Não sei o que está pensando. Simone Tebet é fortíssima ao Senado,se ela se dispuser a disputar em São Paulo.
Valor: Rodrigo Pacheco será o candidato do PT ao governo de Minas Gerais? E para o Senado?
Edinho: Estamos caminhando bem lá. Pacheco precisa dialogar. É liderança nacional, muito forte em Minas. AoSenado, temos lideranças viáveis como Marília [Campos, prefeita de Betim]. A outra vaga está indefinida.
Valor: A pouco mais de seis meses das eleições o PT não lançou candidato em SP, segue indefinido em Minas e noRio apoia Eduardo Paes, que escolheu uma vice bolsonarista. Essa indefinição não atrapalha? E como está no RioGrande do Sul?
Edinho: Se for nós com nós mesmos, a gente não ganha eleição e nem isso se chama aliança. Aliança a gente fazcom quem é diferente. Não acho errado o movimento dele [Eduardo Paes]. É importante que o palanque estejaunido. No Rio Grande do Sul temos uma liderança forte, que é Edegar Pretto. E
Juliana Brizola [PDT] é umacandidata fortíssima. Tem chance de estarmos juntos.
Valor: Na Bahia, o PSB vai apoiar o PT ou ACM Neto? E como fica em Pernambuco?
Edinho: Acho difícil o PSB não estar conosco nos Estados. A nossa aliança é nacional e a Bahia é um Estado centralpara qualquer aliança nacional. Em Pernambuco é natural que a gente esteja com o PSB. Se a governadora [RaquelLyra, do PSD] quiser apoiar Lula, o apoio será muito bem-vindo.
Valor: A guerra no Irã pode impactar a inflação e impedir que a curva de juros comece a declinar. Isso não podeafetar ainda mais Lula?
Edinho: O Brasil está em uma situação muito favorável. A insegurança energética que essa guerra vai criar umajanela de oportunidades para o Brasil se firmar como um país com capacidade de liderar o mundo na produção deenergia limpa. Se tem risco inflacionário no mundo, no Brasil esse risco é menor. Somos autossuficientes emprodução de petróleo, mas temos condições de aguentar o baque.
Valor: E se o Copom mantiver o juro?
Edinho: Não acredito nisso. Não há nada indicando na economia que não vai ter queda de juros. Não é porque éano eleitoral, é porque os indicadores da economia estão apontando para isso.
Valor: O país tem a menor taxa de desemprego mas isso não se reverteu em popularidade para o governo. AQuaest registra que 61% acham que o poder de compra caiu no último ano e para 43% a economia piorou. Por quê?
Edinho: Voltamos a ter um crescimento da renda da família. Lula recupera, mas voltamos a 2010. É evidente quemelhorou, mas se você está consumindo igual a 2010, está longe daquilo que você gostaria que estivesse. Temosque continuar reformando a renda, desonerando salários, o consumo do que é essencial. As necessidades vão sealterando.
Valor: O senhor disse que o voto antissistema está afetando a popularidade do presidente. O partido do campogovernista mais apto a capturar este voto antissistema é o PSOL. O fato de o PSOL não ter fechado essa federaçãocom o PT atrapalha a captura do voto antissistema em benefício do Lula?
Edinho: Não, podemos capturar o voto antissistema. Sobre o debate da federação, me preocupa a cláusula debarreira. Outra preocupação é que os partidos conservadores, estão criando blocos, federações para disputar aagenda do Congresso. Quanto mais tivermos bancadas fortes, representativas, mais teremos força para fazer adisputa dessa agenda. Mas teve ataques contra lideranças do PSOL, contra o PT e ficou um clima ruim. O PSOLescolheu o caminho de não estar em uma federação conosco, é o direito que ele tem. Estará na nossa política dealianças, mas enfraquece a ideia de consolidar a disputa política na sociedade.
Valor: O PT vai continuar batendo nessa tecla do fascismo? É o que eleitor quer?
Edinho: O fascismo está em ascensão, com autoritarismo, perseguição de imigrantes e expansionismo territorial.Não é o PT, é a história que mostra isso. Seria muita pequenez política a gente fazer discurso com o que o eleitorquer ouvir. A esquerda no pré-Segunda Guerra errou e ajudou a construir o nazismo. Se a gente se calar ante ofascismo, seremos julgados pelas futuras gerações. O presidente Lula não se omitirá.
Valor: Em 2022, a diferença entre Lula e Bolsonaro foi menor do que se esperava. Como é que o PT vai fazer comque o discurso antifascista, que quase não barrou Bolsonaro, pode funcionar agora?
Edinho: A derrota do fascismo é derrota, no mínimo, de médio prazo. Lula abriu diálogo com o governo americanopara enfrentar as tarifas, defendeu saída diplomática para os conflitos, se posiciona ao lado do trabalhador nareforma da renda, da qualidade da saúde, da carga horária justa. Não tem aposta mágica, estalar de dedos. Édisputa política no cotidiano.
Valor: Pesquisas qualitativas mostram o cansaço do eleitor em relação ao governo Lula. A avaliação é que ele está‘apagado’, não traz esperança. O que pretendem fazer?
Edinho: O presidente é o candidato mais moderno que o Brasil tem. Defende transição energética. Tem gente quedefende desmatamento. Tem gente que defende a entrega do Brasil aos EUA. O presidente defende odesenvolvimento nacional e as terras raras como uma riqueza para as futuras gerações. Tem gente que quersegurança pública populista. Quer organizar o sistema de segurança pública. Não é a idade que diz se umacandidatura é atual ou não. É o que ela defende.
Valor: Presidentes que se reelegeram tinham pelo menos 35% de avaliação positiva, de ótimo ou bom, que Lula nãotem agora. Como vai mudar em tão pouco tempo?
Edinho: Tem um sentimento de descontentamento no mundo. Estamos vivendo uma crise econômica desde 2008, omundo não voltou a crescer. A democracia representativa, os países democráticos, a população vai para as urnas e avida não muda. O poder de consumo do começo do século XXI não volta. Ou enfrentamos esse debate comresponsabilidade ou a democracia representativa vai se enfraquecer no mundo. Por isso o debate da redução dajornada de trabalho não deveria estar sendo feito só pelos trabalhadores.
Valor: Então o governo vai optar pela redução da jornada em detrimento do fim da escala 6×1?
Edinho: Vamos defender as duas bandeiras.
Valor:O PT vai defender o Código de Ética no STF para enfrentar o discurso antissistema?
Edinho: Precisamos fazer uma reforma político-eleitoral, de execução orçamentária, de reforma no Judiciário.Reduzir a reforma do Judiciário ao Código de Ética é muito pouco.
Valor: Mas que reforma do Judiciário? Com mandato para os ministros? Como os candidatos ao Senado da aliançagovernista vão enfrentar a grita pelo impeachment no Supremo?
Edinho: Não vamos entrar nesse jogo. Seria muito ruim resumir a reforma do Judiciário a um tema. Toda vez que seenfraquece o Judiciário, enfraquece a democracia.

