Edinho participa do lançamento do Manifesto por um Novo Ciclo de Transformações no Brasil da UNE

Presidente nacional do PT destacou papel de Lula na defesa da democracia e afirmou que eleição deste ano definirá os rumos do país

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, candidato a deputado federal por São Paulo, participou nesta quarta-feira (16) do lançamento do Manifesto por um Novo Ciclo de Transformações no Brasil, em ato realizado no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Promovido pela União Nacional dos Estudantes (UNE), o encontro reuniu dirigentes partidários, estudantes, professores universitários, movimentos sociais e lideranças políticas em defesa da democracia.

Entre os participantes do lançamento estavam o deputado estadual Eduardo Suplicy e o ex-presidente nacional do PT José Dirceu, além de representantes do movimento estudantil, da universidade e de organizações sociais.

Durante o ato, Edinho destacou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional. “O presidente Lula é hoje o maior líder do mundo democrático”, afirmou.

Em sua intervenção, o dirigente petista também ressaltou a importância das eleições deste ano para o futuro do país. Para Edinho, o processo eleitoral definirá diferentes projetos para o Brasil e terá impacto sobre os rumos da democracia.

“Nós estamos diante da eleição mais importante das nossas vidas porque nós sabemos que o resultado dessas eleições vai definir que Brasil nós teremos nas nossas vidas. Porque é uma disputa de rumos que está colocada”, declarou.

Edinho relacionou os desafios políticos atuais às transformações provocadas pela crise estrutural do capitalismo. Segundo ele, as mudanças no sistema produtivo e a incorporação de novas tecnologias também alteram o mercado de trabalho, com impactos sobre a renda e o poder aquisitivo dos trabalhadores.

“São mudanças na organização econômica mundial, onde os setores mais populares, os setores médios, estão com a renda achatada, com a falta de perspectiva, com a perda de direitos”, analisou.

Na avaliação apresentada durante o encontro, esse cenário de instabilidade contribuiu para o fortalecimento de forças de direita em diferentes países. Edinho afirmou que o mundo voltou a enfrentar disputas em torno da democracia e mencionou o avanço do fascismo como um dos desafios do período.

“Nenhum historiador, no final do século XX, poderia avaliar que nós estaríamos, nesse momento da nossa história, enfrentando novamente o fascismo no mundo, e nós estaríamos enfrentando o fascismo no Brasil da forma como nós estamos enfrentando”, disse.

O presidente do PT também citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem classificou como “o maior líder fascista do século XX”, relacionando sua afirmação a políticas de expansão territorial, controle de riquezas naturais e perseguição a imigrantes.

“Nós estamos vendo esses cenários se configurando na Europa, esses cenários se configurando na América Latina, esses cenários se configurando no Brasil”, afirmou.

Defesa da democracia

A presidenta da UNE, Bianca Montes, afirmou que o ato representa um compromisso que reúne diferentes setores da sociedade em torno da defesa da democracia.

O local escolhido para o lançamento também remete a momentos importantes da história democrática brasileira. Em 1977, a Faculdade de Direito da USP recebeu a leitura da Carta aos Brasileiros, documento associado à resistência à ditadura militar e à defesa do Estado Democrático de Direito. Em 2022, 45 anos depois, o espaço voltou a receber uma mobilização em defesa das instituições democráticas e das eleições.

“A democracia não é negociável. A democracia não deve ser defendida só quando o golpe já está em curso, ela se defende antes, quando tentam desacreditar as nossas eleições, quando tentam normalizar a violência política, quando os adversários políticos se transformam em inimigos, quando a independência e o republicanismo das nossas instituições são atacados”, declarou Bianca.

O que propõe o manifesto

O Manifesto por um Novo Ciclo de Transformações no Brasil parte da avaliação de que a reconstrução nacional iniciada após 2022 precisa avançar para enfrentar desigualdades e a concentração de poder. O documento propõe um projeto de desenvolvimento soberano, com justiça social e participação popular, e convoca movimentos populares e setores comprometidos com o desenvolvimento soberano a construir um programa comum.

Na área econômica, o manifesto defende crescimento, pleno emprego, distribuição de renda e maior participação da sociedade na definição das políticas econômicas. Entre as medidas propostas estão a tributação dos super-ricos, dos lucros e dividendos, das grandes heranças e dos ganhos do capital financeiro.

O documento também associa a reindustrialização à soberania nacional e ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia, com atenção a recursos estratégicos, como minerais críticos e terras raras. Defende ainda o fortalecimento de empresas públicas e de instituições nacionais de pesquisa e inovação.

Para o mundo do trabalho, o texto propõe redução da jornada sem redução salarial e o fim da escala 6×1, além da valorização dos salários e do fortalecimento das organizações sindicais. Também prevê políticas voltadas à coletivização do trabalho doméstico e dos cuidados, com iniciativas como creches em período integral, lavanderias coletivas, cozinhas e restaurantes comunitários e redes de apoio para crianças e idosos.

Na educação, o manifesto defende a destinação de 10% do PIB para a educação pública, financiamento permanente das universidades e institutos federais, ampliação dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação e fortalecimento das políticas de permanência estudantil.

Entre outros pontos, o documento propõe a democratização dos meios de comunicação, a ampliação da soberania digital e o estabelecimento de regras para as grandes plataformas, além de medidas para combater a expansão das bets, ampliar a participação popular nas decisões políticas, enfrentar a influência do poder econômico sobre as eleições e democratizar o acesso à Justiça.

No cenário internacional, o manifesto defende uma política externa soberana e multipolar, com maior integração sul-americana e cooperação entre os países do Sul Global. A proposta articula soberania nacional, desenvolvimento econômico, ciência, tecnologia e fortalecimento da capacidade produtiva brasileira.