Presidente nacional do PT e candidato a deputado federal por São Paulo destaca identificação com a história de participação democrática do Corinthians e com o legado de Sócrates
O ex-prefeito Edinho Silva, presidente nacional do PT e candidato a deputado federal por São Paulo, assinou a Carta Compromisso pela Democracia, lançada pelo Coletivo Democracia Corinthiana, grupo formado por torcedores do Corinthians em defesa da democracia, da justiça social, dos direitos humanos e da participação popular.
Corinthiano desde a infância, Edinho destacou sua identificação com a história do clube e, especialmente, com o movimento que ficou conhecido como Democracia Corinthiana, protagonizado por jogadores e integrantes do Corinthians no início dos anos 1980, durante a luta pela redemocratização do país.
“Eu sou corintiano desde sempre, né? Desde as minhas primeiras memórias de criança, eu sempre fui corintiano. Então, fico muito feliz de assinar esse manifesto, de manifestar aqui não só a minha vocação pelo Corinthians, mas a minha vocação pelo Corinthians e pela democracia corintiana. E viva o Dr. Sócrates!”, afirmou Edinho.
Legado da Democracia Corinthiana
A adesão de Edinho recupera uma experiência que marcou a história do futebol brasileiro e também o processo de redemocratização do país. No início da década de 1980, jogadores como Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon participaram de mobilizações em defesa do direito ao voto para presidente da República, que não era exercido diretamente pelos brasileiros desde 1960. A luta pelo fim da ditadura militar e pela redemocratização do país estava entre as principais bandeiras do movimento.
Dentro do Corinthians, o movimento também promoveu uma experiência de participação coletiva na gestão do futebol. Decisões relacionadas ao cotidiano do clube, como contratações, escalações e regras internas, eram discutidas e votadas por jogadores, comissão técnica e diretoria, com o mesmo peso para cada voto.
A experiência teve entre seus principais articuladores Adilson Monteiro Alves, sociólogo que ocupava o cargo de diretor de futebol do Corinthians naquele período. A proposta rompeu com modelos tradicionais de gestão esportiva e associou a vivência dentro do clube à defesa de valores democráticos que ganhavam força na sociedade brasileira.
A Democracia Corinthiana se tornou, então, um dos símbolos da participação política e da resistência democrática nos últimos anos da ditadura militar. A figura do médico e jogador Sócrates, em particular, ficou associada à defesa da democracia e à campanha pelas eleições diretas para presidente.
Compromisso com a democracia e os direitos sociais
É nesse legado que se inspira o Coletivo Democracia Corinthiana, que reúne corinthianas e corinthianos comprometidos com a defesa da democracia, da justiça social, dos direitos humanos e da participação popular.
A Carta Compromisso pela Democracia apresenta uma série de compromissos dirigidos a candidaturas progressistas aos cargos de deputado federal, deputado estadual e senador. O documento parte da defesa das instituições democráticas, das liberdades individuais e coletivas e dos direitos fundamentais.
Entre os compromissos apresentados estão a defesa da democracia; a revogação das reformas trabalhista e previdenciária; o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública; a oposição à privatização de serviços públicos; o enfrentamento ao racismo, à LGBTfobia, à xenofobia e à intolerância religiosa; e a ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder.
A carta também estabelece compromissos relacionados ao acesso ao esporte e à cultura, à democratização do futebol e do direito de torcer, além do combate ao racismo ambiental e às desigualdades ambientais e climáticas que atingem especialmente as populações periféricas.
Para Edinho, a assinatura da Carta Compromisso pela Democracia representa não apenas uma forma de reafirmar sua ligação com o Corinthians e com o legado da Democracia Corinthiana, mas também de reforçar a sintonia entre os compromissos assumidos pelo coletivo e as propostas que vem apresentando para levar ao Congresso Nacional.
Temas presentes na carta fazem parte da agenda que Edinho pretende defender em Brasília, entre eles o fortalecimento do SUS e da educação pública integral, a valorização do trabalho e a redução da jornada sem redução salarial, o combate ao racismo e às diferentes formas de discriminação, a proteção das mulheres, a democratização do acesso ao esporte e à cultura e a defesa de políticas voltadas à redução das desigualdades.
Íntegra da Carta Compromisso pela Democracia
O Coletivo Democracia Corinthiana reúne corinthianas e corinthianos comprometidos com a defesa incondicional da democracia, da justiça social, dos direitos humanos e da participação popular. Inspirados pelo legado histórico da Democracia Corinthiana, afirmamos nossa luta permanente pela liberdade, pela igualdade e contra toda forma de violência e opressão.
Em nosso país não pode haver espaço para projetos autoritários, para qualquer forma de golpe ou para iniciativas que representem retrocessos que ameacem os princípios que norteiam a democracia que são as liberdades individuais e coletivas.
A atividade política deve estar comprometida com a transformação social, a redução das desigualdades e a construção de um país cada vez mais justo, solidário e democrático.
Diante desse compromisso, convidamos as candidaturas progressistas aos cargos de Deputado Federal, Deputado Estadual e Senado a assumirem publicamente os seguintes compromissos:
- DEFENDER a manutenção da democracia e de todas as instituições democráticas, das garantias constitucionais e dos direitos fundamentais que fortalecem a dignidade humana.
- REVOGAR as reformas trabalhista e previdenciária, construindo, junto ao movimento sindical, uma CLT atualizada que fortaleça os direitos dos trabalhadores e tendo como norte a redução da jornada de trabalho, matéria essencial para a dignidade do trabalhador.
- FORTALECER o SUS (Sistema Único de Saúde), assegurando que continue atendendo plenamente a toda a população.
- TRANSFORMAR as escolas em espaços de convivência, aprendizado, cidadania plena e conhecimento, fortalecendo a educação em todos os seus níveis e repudiando o modelo cívico-militar.
- BARRAR a privatização de todos os serviços públicos.
- ENFRENTAR o racismo, a LGBTfobia, a xenofobia e a intolerância religiosa, reforçando a legislação e fortalecendo a educação contra todo tipo de intolerância.
- EMPODERAR a participação efetiva da mulher nos espaços de poder e na sociedade.
- GARANTIR o acesso ao esporte e à cultura como bens acessíveis a toda a população em todo o território nacional, dada sua essencialidade para a formação social do cidadão.
- DEMOCRATIZAR o futebol popular e o pleno direito de torcer, bem como a ampliação do acesso ao esporte e à cultura para toda a população, em especial a população periférica.
- COMBATER o racismo ambiental, que exclui a população periférica do convívio social, criando condições para a redução das desigualdades ambientais e climáticas.

