Presidente do partido enfatiza esforço para ampliar alianças nos estados e apoiar candidatos democráticos, dentro ou fora do PT. Senado é crucial porque gera instabilidade no Judiciário e relações exteriores
À frente das articulações do Partido dos Trabalhadores para as eleições de outubro deste ano, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reiterou que considera crucial ter as alianças mais amplas possíveis nos palanques regionais e nas chapas para o Senado para deter o avanço do fascismo e o autoritarismo da extrema direita. Em entrevista ao portal UOL, Edinho Silva afirmou que uma maioria autoritária no Senado é sinônimo de instabilidade política e institucional. Cabe ao Senado, explicou o presidente do PT, aprovar impeachment de representantes do Poder Judiciário e dar aval a nomes de embaixadores e diretores de agências reguladoras.
“Para o bem da democracia brasileira, é fundamental que a gente faça maioria no Senado e impeça que esse pensamento autoritário, repito, de inspiração fascista, eleja a maioria dos senadores nas eleições de 26. Esse é o grande desafio do PT”, disse o presidente nacional do partido.
Desde a sua posse na presidência do PT, Edinho Silva percorreu as 27 unidades da federação, dialogando sobre os palanques regionais no pleito e fortalecendo as bases para conter o avanço do autoritarismo e garantir a defesa da democracia brasileira. “Nós estamos construindo o palanque do presidente Lula, dialogando com diversas forças políticas. Estamos fazendo alianças nos estados as mais amplas possíveis, ou seja, se você tem um senador que é do campo democrático, que ele defende a estabilidade da nossa democracia, não interessa se ele seja do PT, se ele seja da Federação, se ele seja dos partidos de esquerda, interessa […] se ele vai derrotar um senador do pensamento autoritário. Nós vamos apoiar esse candidato, essa tem sido a nossa construção em todos os Estados”.
Sobre o retorno de Marina Silva, ministra de Meio Ambiente e Mudanças do Clima, ao PT, Edinho confirmou que há sim um diálogo em curso. “A Marina é uma das maiores lideranças que o campo democrático construiu nas últimas décadas no Brasil. Como militante do PT, senti muito a saída dela. Se ela tem essa predisposição de fazer uma migração partidária, eu disse a ela que o PT está de portas abertas, que nós teríamos muita alegria em recebê-la novamente. Ter a Marina conosco seria um imenso ganho”, declarou.
Marina é apontada como uma das possíveis candidatas ao Senado por São Paulo, numa aliança que fortaleceria a reeleição de Lula, com apoio do PT. A senadora já sinalizou que poderá deixar a Rede, partido ao qual está filiada atualmente. A filiação ao PT seria uma das possibilidades.
Haddad e Alckmin
Na matemática das alianças, Edinho Silva destaca a dimensão do estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, na decisão das eleições de 2026. Em relação a uma possível candidatura do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Governo do Estado, ele reitera que o reconhece como um dos maiores quadros não só do PT, mas da história do campo progressista brasileiro, pela sua trajetória e pelas eleições que já participou.
“O Fernando tem toda a liberdade, até do ponto de vista humano, de tomar a decisão que ele achar melhor do ponto de vista pessoal, inclusive, daquilo que ele tem planejado para a sua vida, mas ele sabe a importância da nossa vitória em 2026. Eu tenho certeza de que ele está refletindo. Com a capacidade de compreensão desse momento histórico, nós vamos tomar a melhor decisão possível em São Paulo, porque o resultado eleitoral de São Paulo pode definir a nossa disputa nacional”.
O futuro do vice-presidente Geraldo Alckmin no pleito de 2026, frisou Edinho Silva, será “o que ele achar melhor”. O presidente do PT afirmou ser um admirador de Alckmin e destacou o papel dele na negociação das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil.
“O Alckmin vai disputar o cargo que ele achar melhor nas eleições de 26, portanto, nós vamos respeitar a opção dele por tudo que ele tem construído como vice-presidente, como ministro, nesse momento tão difícil da vida brasileira”, analisa.
Disputa acirrada e uso correto das redes
O presidente do PT prevê uma disputa eleitoral acirrada e ressaltou a importância de manter o diálogo contínuo com a sociedade, num contexto político polarizado.
“A polarização política é um fenômeno que tem que ser enfrentado mundialmente, principalmente com o crescimento vertiginoso das redes sociais. Essa cristalização das opiniões públicas, elas são alimentadas todos os dias pelas redes. É uma nova realidade da comunicação mundial, e isso, por consequência, gera um ambiente de disputas acirradas. Há muito trabalho pela frente. A gente precisa utilizar as redes sociais da forma correta, melhorando as nossas estratégias. Mas eu não tenho nenhuma dúvida que, se as eleições fossem hoje, nós estaríamos enfrentando uma disputa muito acirrada nesse ambiente polarizado”, analisou.
No ano em que o partido dos trabalhadores completa 46 anos, o presidente Edinho Silva sabe o tamanho da tarefa: “2026 é a eleição da história da democracia brasileira. Pela caracterização internacional, pelas mudanças da geopolítica internacional, pelo avanço do pensamento autoritário, uma vitória do presidente Lula sinalizaria para o mundo a possibilidade de retomada da organização de um campo democrático que enfrentasse esse pensamento fascista que cresce no mundo. E nacionalmente, internamente, seria a vitória de um projeto, de um programa que vai deixar legados históricos para as próximas gerações”, concluiu.
Fonte: pt.org.br

