“O Brasil não pode se curvar a ameaças autoritárias”, diz Edinho em debate no 60º Conune em Goiânia

Presidente eleito participou da mesa de debate “Soberania e desenvolvimento”, ao lado de lideranças políticas do país

O 60º Congresso da UNE (Conune) recebeu um dos debates mais densos da programação na última quinta-feira, dia 17, em Goiânia. Com o tema “Soberania e desenvolvimento: a construção de um projeto de desenvolvimento nacional”, lideranças políticas e sociais do Brasil levaram participantes do Congresso à reflexão sobre os avanços da extrema-direita no Brasil e no mundo. O debate lotou um dos auditórios do Centro de Convenções da UFG.   

O presidente eleito do PT, Edinho Silva participou da mesa e destacou em sua fala os desafios do presente e a importância de o Brasil não se curvar a ameaças autoritárias como as de Trump. “É preciso fortalecer a democracia e construir um projeto de desenvolvimento com justiça social e igualdade de oportunidades”, afirmou.

Na sua avaliação, a soberania do país está diretamente ligada ao enfrentamento das desigualdades. “Construir um Brasil soberano é garantir que o povo tenha poder. Isso significa enfrentar o racismo, o patriarcado, a fome e construir uma nova institucionalidade baseada na participação popular”, defendeu. “Seguimos na luta por um Brasil sem privilégios, soberano e democrático”.

Participaram ainda da mesa Inácio Arruda, secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (SEDES) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Fernanda Melchionna, deputada federal (PSOL/RS); Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP); Matheus Gomes, deputado estadual do Rio Grande do Sul (PSOL); e Pedro Campos, ex-secretário-geral da UNE e integrante do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Projeto Nacional

Inácio Arruda, que abriu a discussão, destacou que a retomada de um projeto nacional exige romper com a lógica do entreguismo e resgatar a soberania como valor central. “Não existe soberania sem ciência, tecnologia e valorização da nossa capacidade produtiva. É assim que construímos autonomia e saímos da dependência”, afirmou o secretário.

A deputada federal Fernanda Melchionna pontuou os riscos da ascensão global da extrema-direita e defendeu que a esquerda brasileira esteja preparada para resistir às investidas autoritárias. “Vivemos quatro anos de saídas fascistas, ataques às instituições e destruição das políticas públicas. É preciso reconstruir o país com base na democracia radical, na justiça social e no protagonismo popular”, disse.

Deyvid Bacelar trouxe a perspectiva dos trabalhadores e a importância das estatais estratégicas no desenvolvimento nacional. Segundo ele, “não há projeto soberano possível sem Petrobras pública, sem reestatização de setores cruciais e sem a classe trabalhadora no centro das decisões.”

O deputado Matheus Gomes destacou o papel da juventude e das periferias nesse novo ciclo político. Para ele, “a transformação só virá com a mobilização popular. O povo negro, as mulheres, os indígenas, os trabalhadores e a juventude das quebradas precisam ser sujeitos centrais desse novo Brasil.”

Fechando a mesa, Pedro Campos lembrou que o combate ao autoritarismo passa também por uma reforma profunda do sistema político e do Judiciário. “A democracia brasileira precisa deixar de ser um privilégio de poucos. Defender a soberania é também democratizar o acesso à justiça, à terra, à comunicação e ao poder”, concluiu.

O debate terminou com palavras de ordem, aplausos e uma certeza comum entre os presentes: a juventude quer e vai participar da construção de um Brasil soberano, justo e popular.

Governo Lula e o compromisso com a educação

Pela manhã, Edinho acompanhou ministros, parlamentares e lideranças políticas e sociais no grande ato com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Um dia marcante de reafirmação do compromisso com a democracia, com a educação pública e com o futuro do Brasil”, disse Edinho em sua rede social logo após o evento.  

Em seu discurso, Lula destacou o papel da UNE nas conquistas da educação brasileira e afirmou que ser o presidente que mais construiu universidades na história é um dos seus legados mais importantes. “Tenho muito orgulho de que, em cada lugar que eu vou, a coisa que as pessoas mais me agradecem é pai e mãe dizendo: ‘Obrigado, presidente, por meu filho ter feito universidade’.” Ele também pediu ajuda da UNE para que a juventude vá às periferias ajudar a politizar a sociedade brasileira um pouco mais, para que as pessoas não sejam enganadas por mentirosos.

Os estudantes entregaram uma carta de reivindicações ao presidente Lula, em que pedem educação pública fora do arcabouço fiscal, orçamento fixo para as universidades federais, avanço na regulamentação do PNAES, criação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (INSAES) para pôr fim ao capital estrangeiro na educação, um plano emergencial para as licenciaturas, entre outras pautas.

Também durante o ato o presidente Lula sancionou o projeto que amplia recursos do Fundo Social do Pré-Sal para ações de assistência estudantil. Criado em 2010 como compensação financeira pela exploração de petróleo e gás, o Fundo financia áreas como educação, saúde e combate à pobreza. Os recursos, royalties e participações especiais, serão direcionados à Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), transformada em lei em 2024 após pressão do movimento estudantil, e a programas similares de estados e municípios. A Pnaes assegura acesso a alimentação, transporte, moradia, saúde, inclusão digital e outros benefícios essenciais para reduzir a evasão e promover a equidade no ensino público federal.

Participaram do ato junto com o presidente Lula a primeira-dama, Janja, o ministro Camilo Santana (Educação), ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), ministra Margareth Menezes (Cultura), a ministra Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Padilha (Saúde), além de parlamentares e da direção da UNE, como a então presidenta Manuella Mirella e Júlia Köpf, secretária-geral. 

“A UNE cumpre um papel histórico na luta pelos direitos da juventude e pela defesa da soberania nacional, uma trajetória construída junto com o PT, os partidos de esquerda e em parceria com os governos do presidente Lula. Nenhum governo na história do Brasil fez tanto pela educação, ampliando o acesso e promovendo inclusão”, finalizou Edinho, enaltecendo a direção da UNE pela organização de mais um Congresso histórico.