Presidente do Partido dos Trabalhadores convoca militância nas redes sociais para pressionar Senado a votar PEC que garante ao trabalhador ter dois dias na semana para descanso, sem redução salarial

O Partido dos Trabalhadores (PT) deflagrou nesta segunda-feira (13) uma ampla campanha nacional para cobrar do Senado a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 e é uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A convocação foi feita pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, em áudio distribuído à militância petista de todo o país, neste domingo (12).
A PEC estabelece a redução da jornada semanal para 40 horas e garante duas folgas remuneradas por semana.
A mobilização do PT, que está concentrada nas redes sociais, se dá em meio a proximidade do recesso parlamentar e ao período eleitoral.
O objetivo é fazer com que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil- AP), dê andamento à matéria na Casa. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados no dia 27 de maio e foi encaminhada ao Senado para apreciação, mas, desde então, está parada.
Convocação
No áudio distribuído nas redes sociais, Edinho Silva destacou o protagonismo do presidente Lula na defesa da PEC, classificando-a como prioridade do governo federal.
“Todos sabem que o presidente Lula tem sido o grande protagonista dessa luta, ele tem sido a grande liderança para que a gente possa construir relações de trabalho, onde a trabalhadora e o trabalhador tenham mais tempo para sua família, para o seu lazer, para cuidar da sua saúde, para estudar, para se qualificar. A PEC foi aprovada na Câmara Federal, precisamos fazer com que a PEC seja aprovada também no Senado Federal.”
De acordo com o Ministério do Trabalho, a mudança beneficiaria diretamente 14,8 milhões de trabalhadores celetistas no Brasil, que atuam atualmente na escala 6×1 — modelo de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
O número é ainda maior quando considerados outros regimes de contratação, como trabalhadores domésticos, totalizando cerca de 20 milhões de pessoas.
Em defesa da PEC
Edinho Silva tem defendido sistematicamente o fim da escala 6×1 e a aprovação da jornada de trabalho menor, que possibilite ao trabalhador ter dois dias na semana para descanso, sem redução salarial.
“A trabalhadora e o trabalhador têm direito ao lazer e a ter mais tempo com a sua família. Isso já justifica a redução do jornal de trabalho, que é pauta urgente para a classe trabalhadora e uma proposta de justiça”, enfatiza o presidente do PT.
Edinho ressalta ainda que a medida pode ser uma solução inteligente no enfrentamento da crise econômica mundial desencadeada pela adoção de novas tecnologias, que aumentou a capacidade produtiva, utilizando menos mão-de-obra.
“Se tivermos mais trabalhadores recebendo salário para que eles possam consumir, evidente que nós não vamos conseguir sair dessa situação econômica mundial, que é uma crise de excesso de produtividade”, acrescenta Edinho.
Mas a aprovação da PEC encontra resistência nos setores empresariais, da oposição e de partidos da extrema direita. Para lideranças petistas e sindicais, atuar contra a redução de jornada de trabalho do brasileiro é um “desserviço ao país”.
A preocupação é com o recesso do Congresso, a partir deste dia 18 de julho, seguido do início do período de campanha eleitoral, em agosto, quando muitos senadores se voltam para suas bases para focar na reeleição e a capacidade de mobilização e votação diminui.

