“Pela importância que tem o fim da 6×1, Senado vai priorizar votação”, avalia Edinho

Presidente nacional do PT reforça sua defesa da redução da jornada de trabalho como uma correção de injustiça histórica e diz que acredita em uma definição rápida dos senadores

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta quinta-feira (28), em entrevista, ter “convicção de que o Senado vai prioridade à votação da redução da jornada de trabalho no Brasil, pela relevância da pauta.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a escala 6×1 e reduz de 44 para 40 horas semanais a escala do brasileiro foi aprovada na Câmara dos Deputados, na noite de quarta-feira (28) e seguiu para a análise dos senadores.

A PEC estabelece jornada de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, com período de transição de 14 meses; 60 dias após a promulgação, a jornada cai de 44 para 42 horas semanais e, depois de 12 meses, fixa em 40 horas semanais.

“Eu tenho convicção que o Senado vai dar prioridade a essa aprovação pela importância que ela tem para as trabalhadoras, trabalhadores brasileiros. Não trata apenas de redução de jornada, mas de uma correção de uma injustiça histórica”, defendeu Edinho, acrescentando que o Brasil ainda convive com uma carga tributária que ameaça a saúde mental dos trabalhadores.

E prosseguiu: “Estamos falando de uma justiça que significa o trabalhador e a trabalhadora ter mais tempo para a sua família, para cuidar da sua saúde e para estudar, porque sabemos o quanto a juventude sofre para conciliar trabalho e estudo”.

Demanda da sociedade

O presidente do PT avaliou também o resultado da votação – 472 votos a 22 no 1º turno e 461 votos a 19, no 2º.
Para ele, a aprovação expressiva na Câmara demonstra que sociedade e Congresso vêm força na pauta, que foi construído com participação decisiva do presidente Lula e com os deputados comprometidos com a defesa dos trabalhadores.

“Por ser uma pauta importante para a sociedade, aprovada de forma surpreendente na Câmara com o empenho do presidente Lula e sensibilização das bancadas, penso que o mesmo ambiente se transfere para o Senado Federal”, avaliou.

Décadas de debate

Edinho lembrou ainda que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais vem sendo debatida a décadas e já era pauta desde o período da Assembleia Nacional Constituinte.

“É um anseio antigo; se voltarmos na reforma constitucional de 88, a questão das 40 horas semanais já estava pautada. Estamos falando de décadas de espera para que a gente caminhe para uma jornada mais equilibrada e para as 40 horas semanais, que é um sonho antigo”, afirmou.

Questionado se Lula pretende conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), para tratar sobre o trâmite da PEC, Edinho apontou a trajetória de Lula, marcada pelo diálogo e pela construção de saídas políticas.
“Nunca faltou vontade política do presidente Lula em dialogar. Essa é uma pauta que deveria ser aprovada naturalmente pelo Senado, sem exigência de negociação enfática”, disse.

Entregas e combate à corrupção

O presidente nacional do PT também reafirmou que o Brasil vive um ciclo de reconstrução, depois de quatro anos do governo de Jair Bolsonaro.

“O governo do presidente Lula é o governo com maior volume de entregas desde a redemocratização. O país deve virar o semestre com R$ 1 trilhão em investimentos no PAC, além de 3 milhões de moradias no Minha Casa, Minha Vida, além do reconhecimento internacional do Brasil como referência em inclusão social”, contextualizou.
Na sua análise, parte da dificuldade de comunicação sobre as entregas do governo ocorre em meio ao volume de denúncias de corrupção herdadas ou originadas em estruturas do período Bolsonaro. Ele citou os casos do INSS, do Banco Master e das emendas parlamentares.

“O escândalo do INSS foi uma organização criminosa durante o governo Bolsonaro. O Banco Master é uma criação do governo Bolsonaro com aprovação de Campos Neto no Banco Central”, disse.

E ressaltou que, diante das denúncias, Lula tem defendido apuração rigorosa e autonomia dos órgãos de fiscalização.

“Quem tem criticado essa execução orçamentária e pediu a apuração sobre o INSS e o Banco Master foi o presidente Lula, dando total autonomia aos órgãos de fiscalização”, afirmou.

O respeito do governo Trump

Edinho Silva também comentou a visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e a foto do senador com Donald Trump. Para o dirigente petista, a agenda teve caráter de marketing político e não se compara à atuação internacional de Lula como chefe de Estado.

“Lula esteve com Trump para defender interesses concretos do Brasil, como a soberania nacional e o debate sobre terras raras. É muito diferente da ida do presidente Lula, que foi como chefe de Estado, teve três horas de reunião e almoçou com o presidente Trump para tratar de interesses do povo brasileiro”, afirmou.

Edinho concluiu afirmando que o presidente Lula é hoje uma liderança respeitada internacionalmente, tratada com respeito pelo governo Trump e preparada para defender o Brasil em um cenário global instável.